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Tempranillo

Símbolo Espanhol.

“Toda la vida es sueño y los sueños, sueños son” (P.Calderón).

Caros confrades, para mim, a Espanha é exatamente isso, um sonho. Um sonho do qual eu não quero acordar. Quando Calderón escreveu a peça “A vida é um sonho”, onde questionava as convenções sociais, religiosas e morais, sem saber, identificava a característica mais importante do povo espanhol, a rebeldia, o não conformismo. A Espanha é assim, o tempo inteiro se questiona, se auto-critica, se reinventa. E é exatamente esse espírito perturbado e revolucionário que faz da Espanha, um sonho.

Senão, como explicar que um povo (muito mais do que um país) possa dar ao mundo artistas desconcertantes como: El Greco, Velázquez, Goya, Dali, Picasso, Cervantes, García Lorca, Ortega y Gasset, Gaudí, Almodóvar, Segóvia, Joaquin Cortés, Paco de Lucía, dentre tantos outros. A Espanha, em todas as artes, é apaixonante e quente. É impossível ficar passivo frente à avalanche de sentimentos, sensações e experiências que nosso espírito é submetido quando está em contato com a cultura espanhola.

No mundo da gastronomia também não poderia ser diferente. Nos últimos anos, nos acostumamos a ouvir falar dos grandes Chefs espanhóis: Ferran Adrià, Aduriz, Juan Mari Arzak, Subijana, Berasategui... Da mesma forma, hoje em dia, o vinho espanhol está em seu melhor momento. Parece que tudo conspira a favor da Espanha.

A Tempranillo é a casta (uva) símbolo da Espanha. Nenhuma outra casta em nenhum outro país possui tanta influência e domínio. Originária da região de Rioja (Espanha), a Tempranillo é cultivada em quase todas as sub-regiões continentais espanholas. Seu nome (temprano = cedo) se deve ao fato de apresentar um brotamento precoce, amadurecer rápido e, por conseqüência, ter um ciclo de crescimento curto.

Porém, enganam-se completamente quem pensar que por conta disso, todos os vinhos espanhóis são iguais. Da mesma forma como ocorreu com seus artistas desconcertantes, a Espanha apresenta vinhos feitos com a Tempranillo totalmente diferentes em cada uma das regiões produtoras; são vinhos únicos e apaixonantes. Dependendo da região, a Tempranillo pode ser identificada com outros nomes: Ull de Llebre (Penedès), Tinto Fino (Ribera del Duero), Tinta del País (Ribera del Duero), Tinta de Toro (Toro) e Cencibel (Valdepeñas). Em Portugal ela também é muito importante, conhecida como Tinta Roriz (Douro) ou Aragonês (Alentejo).

A Tempranillo é uma uva fácil de cultivar. Prefere clima fresco com grande insolação, necessita de água em quantidades reduzidas e o cultivo em altas altitudes é bem vindo. Normalmente se apresenta com baixa acidez e açúcar, mas com bons taninos e aromas. Seus vinhos tendem a ser mais redondos, macios e com uma textura deliciosa. É uma uva versátil, podendo ser vinificada sozinha ou em corte (garnacha, mazuelo, cariñena, cabernet sauvignon ou syrah). Na Espanha é comum que ela passe por um estagio em madeira (carvalho francês ou americano). Podemos dizer que os aromas da Tempranillo se encontram no meio do caminho entre os aromas da Cabernet Sauvignon e da Pinot Noir, destacando-se: morangos, baunilha, caramelo, terra molhada, noz-moscada e couro velho. Diferentemente do que muita gente acredita normalmente seus vinhos não são tão encorpados e potentes. O tempo de guarda pode ser bem vindo para essa uva nos casos dos grandes vinhos. Mas para a grande maioria, devem ser degustados jovens (até 07 anos). As melhores regiões produtoras são: Rioja, Ribera del Duero, Toro e Navarra (Espanha); Douro, Dão e Alentejo (Portugal); Mendoza (Argentina) e Austrália.

O sol implacável sobre a terra nua forja a ferro e fogo a personalidade de tudo que é espanhol. Seu povo, sua história, sua culinária, seus vinhos. Só precisamos fechar os olhos e ver os Cavalos da Andaluzia, os floreios do Flamenco, os aromas da Paella e do Jerez, as agulhas da Sagrada Família, as facas de Toledo, os anseios dos Bascos. Só precisamos fechar os olhos e voltar a sonhar...

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